Bandeira da República Portuguesa

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Bandeira da República Portuguesa desde 30 de Junho de 1911 ( menos de um ano após a revolução republicana de 5 de Outubro de 1910 )

2013/01/16

Texto epistolar



Sabes o que é o texto epistolar?
Parece estranho o nome ou já o ouviste?
Pensa lá....
Bom, não quero que fiques confuso.
Clica na imagem para abrires o blogue que te explica tudo.
Muita atenção e bom trablaho.


PS: Aconselho-te a tirar algumas notas e observa o esquema.


 
 
E como nem tudo na vida são coisas sérias, aqui transcrevo duas cartas de amor do grande poeta Fernando Pessoa (1888/1935) à sua querida Oféliazinha. Espero que aches graça!
 
Ofélia foi a namorada de Fernando Pessoa durante duas fases: de 1 de Maio a 29 de Novembro de 1920 e de 11 de Setembro de 1920 a 11 de Janeiro de 1930, embora o contacto entre os dois se mantenha cordial, até à morte do poeta.
 
 
CARTA A OFÉLIA QUEIRÓS - 27 DE ABRIL DE 1920
    
Meu Be«be»zinho lindo:

Não imaginas a graça que te achei hoje á janella da casa de tua irmã! Ainda bem que estavas alegre e que mostraste prazer em me ver (Álvaro de Campos).
Tenho estado muito triste, e além d'isso muito cansado - triste não só por te não poder ver, como também pelas complicações que outras pessoas teem interposto no nosso caminho. Chego a crer que a influência constante, insistente, hábil d'essas pessoas; não ralhando contigo, não se oppondo de modo evidente, mas trabalhando lentamente sobre o teu espírito, venha a levar-te finalmente a não gostar de mim. Sinto-me já differente; já não és a mesma que eras no escriptorio. Não digo que tu própria tenhas dado por isso; mas dei eu, ou, pelo menos, julguei dar por isso. Oxalá me tenha enganado...
Olha, filhinha: não vejo nada claro no futuro. Quero dizer: não vejo o que vãe haver, ou o que vãe ser de nós, dado, de mais a mais, o teu feitio de cederes a todas as influencias de familia, e de em tudo seres de uma opinião contraria á minha. No escriptorio eras mais dócil, mais meiga, mais amorável.
Enfim...
Amanhã passo á mesma hora no Largo de Camões. Poderás tu apparecer à janella?

Sempre e muito teu
assinatura de Fernando Pessoa
 
CARTA A OFÉLIA QUEIRÓS - 31 DE MAIO DE 1920
 
     Bebezinho do Nininho-ninho:

Oh!
Venho só quevê pâ dizê ó Bebezinho que gotei muito da catinha dela. Oh!
E também tive munta pena de não tá ó pé do Bebé pâ le dá jinhos.
Oh! O Nininho é pequenininho!
Hoje o Nininho não vai a Belém porque, como não sabia se havia carros, combinei tá aqui às seis ho'as.
Amanhã, a não sê qu'o Nininho não possa é que sai daqui pelas cinco e meia. [desenho de uma meia] (isto é a meia das cinco e meia).
Amanhã o Bebé espera pelo Nininho, sim? Em Belém, sim? Sim?
Jinhos, jinhos e mais jinhos.
assinatura de Fernando Pessoa
 

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